Novembro 8, 2026

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Foto: Yasmin Rodrigues

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Estudo de R$ 5,6 milhões busca soluções para conter avanço do mar e erosão em Atafona

A Prefeitura de São João da Barra divulgou os primeiros resultados do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que pretende orientar futuras ações para conter a erosão costeira em Atafona e em outros trechos do litoral do município. O fenômeno, que se intensificou a partir da década de 1970, já provocou a destruição de centenas de imóveis e continua ameaçando áreas residenciais.

O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 22 de outubro pela empresa SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis. Durante os trabalhos, foram analisados 239 perfis de praia ao longo de 32 quilômetros do litoral, além da coleta de 717 amostras de sedimentos.

O estudo também avaliou condições oceanográficas e meteorológicas, como direção e intensidade dos ventos, altura das ondas, marés e características do solo. Os dados deverão servir de base para identificar as causas da erosão e apontar alternativas para reduzir os impactos do avanço do mar.

Foto: Yasmin Rodrigues

Orçado em R$ 5,6 milhões, o projeto tem prazo de execução de 18 meses e envolve uma equipe multidisciplinar de 29 especialistas. Entre as possibilidades de intervenção que poderão ser avaliadas estão a recuperação de dunas e o engordamento artificial das praias.

Segundo a prefeita Carla Caputi, o estudo é uma etapa necessária para que o município consiga buscar recursos estaduais e federais destinados às futuras obras de proteção costeira.

A iniciativa também é considerada importante por pesquisadores e ambientalistas, que defendem medidas urgentes diante da dimensão dos danos provocados pelo avanço do mar. O historiador e ambientalista Aristides Soffiati destaca que a erosão está relacionada a diversos fatores, incluindo alterações na vazão do Rio Paraíba do Sul, retirada de areia, mudanças nas correntes oceânicas e elevação do nível dos oceanos.

O geógrafo marinho Eduardo Bulhões também ressalta que o problema não está restrito a Atafona. Segundo ele, a praia do Açu enfrenta o avanço acelerado do mar e outros municípios da região precisam desenvolver planos de gerenciamento costeiro e adaptação às mudanças climáticas.

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Atualmente, 55 famílias recebem o Auxílio Emergencial de Avanço do Mar, benefício municipal equivalente a um salário mínimo, destinado a moradores que precisam deixar áreas de risco. A Prefeitura informou que mantém monitoramento diário dos trechos atingidos.

Além da preocupação com a destruição de imóveis e patrimônios históricos, moradores e representantes da sociedade civil cobram que os resultados do estudo sejam transformados em projetos executivos e ações concretas de proteção ao litoral.

A expectativa é que o levantamento permita definir soluções tecnicamente viáveis para enfrentar um problema que há décadas ameaça a população, a história e o futuro de Atafona.