Maio 14, 2026

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Campos registra aumento de vírus respiratórios em crianças durante outono-inverno

Um levantamento detalhado realizado pelo Hospital Ferreira Machado (HFM) traz um alerta importante para pais e responsáveis neste período de temperaturas mais baixas. O estudo analisou as notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 12 anos, internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, especificamente durante os meses de março a setembro (outono e inverno) dos últimos três anos.

Os dados revelam que a infância é o grupo mais afetado pelas complicações respiratórias. Do total de casos de SRAG notificados no hospital ao longo de todo o ano, incluindo adultos e crianças, cerca de 70% das internações ocorrem em menores de 12 anos durante o período de outono-inverno. Em 2023, foram 160 notificações neste perfil; em 2024, 128 casos; e, em 2025, o registro foi de 126 internações graves no período analisado.

A pesquisa destaca uma mudança no perfil dos agentes causadores dessas infecções. Enquanto o vírus da Covid-19 (SARS-COV-2) não apresentou relevância significativa nos casos avaliados, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) mostrou um crescimento expressivo. Em 2023, o VSR era responsável por 7,5% dos casos identificados. Nos anos seguintes, esse número saltou para 36% em 2024 e 33% em 2025, se consolidando como o principal agente causador de internações em UTI.

A coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HFM, Christiane Ramos, explica que o cenário local acompanha uma tendência observada em todo o país. “Pudemos observar o crescente aumento do VSR como importante agente causador de casos graves em crianças menores de 12 anos admitidas com necessidade de internação em UTI pediátrica. Ele é um dos principais causadores de infecções como a bronquiolite, que traz maior risco de hospitalização”, afirma.

Apesar da gravidade dos casos que chegam à UTI, o estudo traz um dado positivo, o percentual de cura e alta médica foi superior a 90% em todos os períodos avaliados. No entanto, o número de óbitos, apesar de apresentar queda, ainda é um ponto que exige atenção, se concentrando majoritariamente em crianças menores de 5 anos de idade.

Para combater esses números, a coordenadora destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou novas ferramentas de proteção. “Atualmente já temos disponível no SUS a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, o que protege os bebês por meio da transferência de anticorpos, reduzindo internações graves nos primeiros seis meses de vida”, explica Christiane.

Além da vacina para gestantes, outra inovação é o anticorpo monoclonal Nirsevimabe, disponível desde fevereiro de 2026. “É uma proteção de dose única indicada para bebês prematuros nascidos de até 36 semanas e 6 dias e que tenham até cinco meses de vida, além de crianças com comorbidades de até 1 ano, 11 meses e 29 dias de vida, como doenças cardíacas ou pulmonares, para prevenir formas graves de bronquiolite e pneumonia”, explica.

A recomendação final é que a população mantenha o calendário vacinal sempre atualizado, garantindo o controle de doenças imunopreveníveis e reduzindo o risco de adoecimento grave, especialmente entre os mais jovens.