Junho 3, 2026

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Polícia revela histórico de ameaças por trás de feminicídio que chocou Campos; vítima foi ameaçada com arma dias antes do crime

O crime contra Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, que chocou a população de Campos dos Goytacazes, foi o desfecho trágico de um histórico de violência doméstica não denunciado às autoridades, segundo a Polícia Civil.

Durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (3), a delegada adjunta da 134ª Delegacia de Polícia do Centro, Madeleine Dykeman, apresentou novos detalhes sobre o feminicídio seguido de suicídio ocorrido no Parque Califórnia.

As investigações apontam que a vítima vivia um histórico de agressões e ameaças por parte do ex-companheiro, que já teria afirmado anteriormente que a mataria e tiraria a própria vida em seguida. Ainda segundo a Polícia Civil, após o rompimento, Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 31 anos, sem aceitar o término da relação, ameaçou Camile com uma arma.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Polícia Civil mostram Ruan chegando à residência de logo após os filhos do casal saírem para a escola. As gravações registram o homem entrando no imóvel às 7h22. Cerca de uma hora depois, às 8h15, ele deixa o local de forma tranquila, apresentando uma mancha em uma das pernas que, segundo a investigação, pode indicar uma lesão sofrida durante o crime. Pouco depois, ele retorna à residência.

De acordo com a Polícia Civil, vestígios de sangue foram encontrados no veículo de Ruan, reforçando a hipótese de que ele tenha se ferido acidentalmente enquanto atacava a vítima. A perícia constatou que Camile foi surpreendida e não teve chance de reação.

“A vítima foi surpreendida na cama, ou seja, não houve nenhum tipo de briga entre os dois. Provavelmente, essa lesão no joelho ocorreu quando ele golpeava a vítima e acabou se autolesionando”, explicou a delegada.

O laudo pericial apontou múltiplas lesões no corpo de Camile, atingindo regiões como a nuca, os seios e as mãos.

Como o autor morreu no local e não foram encontrados indícios de participação de terceiros, o inquérito será concluído com a apuração das circunstâncias do caso. Em seguida, a punibilidade será extinta. Os celulares de Camile e Ruan foram apreendidos e passarão por perícia para auxiliar nas investigações.

Casos de violência doméstica podem ser denunciados por vítimas, familiares, amigos ou vizinhos. Especialistas reforçam que ameaças, agressões físicas, violência psicológica, perseguição e controle excessivo também configuram formas de violência e não devem ser ignorados.

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funciona 24 horas por dia, ou pelo 190, em situações de emergência. As vítimas também podem procurar uma delegacia, preferencialmente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), além de serviços de assistência social e apoio psicológico disponíveis no município. Denunciar é um passo fundamental para interromper o ciclo da violência e prevenir casos mais graves.

Com informações Jornal do Estado